Nutricionista Responde

Por Maria Candida Zacharias

Por meio das fezes é possível identificar problemas na alimentação ou até intestinais. Existe alguma orientação sobre isso?

Sabemos que o intestino grosso é uma parte do sistema digestivo que tem a função de absorver água e nutriente (alimentação). Além disso, elimina substâncias não aproveitadas pelo organismo através das fezes.

Podemos identificar uma série de sinais e sintomas que podem ser causados por algumas doenças, como a mudança no hábito intestinal, diarreia, constipação, sensação de que o intestino não esvaziou após a evacuação, cólicas, dor abdominal, sangramento, muco nas fezes e perda de peso.

A função intestinal varia bastante, não apenas de um indivíduo para outro, mas também no mesmo indivíduo em momentos diferentes. A função intestinal pode ser afetada pela dieta, pelo estresse, por drogas, por doenças e, inclusive, por padrões sociais e culturais.

Na maioria das sociedades ocidentais, o número normal de evacuações varia de 2 a 3 por semana até 2 a 3 por dia. As alterações de frequência, consistência, volume das evacuações ou a presença de sangue, muco, pus ou um excesso de matéria gordurosa (óleo, gordura) nas fezes pode indicar uma doença. Ex: A atividade física escassa e a dieta pobre em fibras são causas comuns da constipação crônica.

Se uma dieta é pobre em fibras e você aumenta o consumo de fibras muito rapidamente e em grandes quantidades, você pode sentir flatulência (gases), estufamento, cólicas e diarreia. Para evitar estes desconfortos, o aumento de fibras na dieta deve ser gradativo (um mês ou mais), pois requer certa adaptação intestinal. Se estes sintomas ocorrerem, corte os alimentos relacionados temporariamente e então comece a consumi-los gradativamente. Entre vários alimentos ricos em fibras, você pode sentir que certos podem ser mais bem tolerados por você do que outros.

Quem tem hemorroidas deve consumir quanto de fibras diárias?

A ingestão de fibra alimentar recomendada para um adulto com ou sem hemorroidas é de aproximadamente 25 a 30 gramas por dia e sua ingestão deve ser balanceada em fibras solúveis e insolúveis para um melhor resultado. Isso equivale a duas colheres de sopa de farelo de aveia combinado, por exemplo, com alimentos integrais, legumes, verduras e frutas, sem esquecer-se da água.

Apenas a fibra influencia no transito intestinal?

Não é só a fibra que auxilia o bom funcionamento do intestino. A água é essencial na lubrificação dos intestinos. Sem água as fibras ficam secas e podem, inclusive, piorar a prisão de ventre. Beber bastante líquido (pelo menos 2 litros por dia) amolece as fezes e facilita sua eliminação.

Tenho também conseguido ótimos resultados para meus pacientes com a inserção dos alimentos probióticos como: os leites fermentados e o iogurte que contém lactobacilos, microrganismos que mantêm e recuperam a flora intestinal.

Consumir muita carne é ruim para o intestino?

Não é uma regra, mas o problema está no excesso e na forma que a carne bovina é ingerida. Com uma alimentação saudável é possível fazer a utilização desse alimento em até três vezes na semana, dando preferência a carnes vermelhas magras. Além disso, podemos inserir na dieta outras fontes de proteínas como: peixes, frangos, ovos, leite e derivados.

Alimentos com glúten prejudicam o trânsito intestinal?

O glúten ajuda no trânsito intestinal e melhora a digestão. Os cereais, ricos em glúten, são fontes importantes de fibras e outros nutrientes. Apenas as pessoas com doenças celíaca – que correspondem a 1% da população – devem deixar de consumir esse tipo de proteína.

Os nutricionistas sempre indicam uma dieta rica em grãos, mas que tipo de grãos? Como ingeri-los?

 Os grãos integrais são completos, ricos em nutrientes: vitaminas, minerais e fibras.

Adiciona-los à dieta é muito fácil:

– Os Feijões (preto, branco, marrom), ervilhas, lentilhas, grão de bico e outras leguminosas são excelentes fontes de fibra e podem sem utilizados em sopas, ensopados, massas e saladas.

– Use mais grãos integrais em sua alimentação, como: arroz integral, cevada integral, farelos, trigo para quibe, quirera (canjiquinha), trigo integral, germe de trigo, quinoa, amaranto, chia e linhaça. Esses grãos podem ser incluídos em sopas, saladas e pratos principais.

– Substitua pão branco ou croissant por pão integral. Escolha crackers e outros biscoitos de farinha integral. Troque arroz branco pelo integral. Escolha massas (ex.: macarrão) de farinha de trigo integral.

– O farelo de trigo isolado, comprado em supermercado ou casas de produtos naturais, pode ser incluído gradativamente na refeição. Coloque, por exemplo, uma colher de sopa no leite do café da manhã e lanches.

– Cereais matinais ricos em fibras são boas escolhas para o café da manhã e lanches.

– Substitua farinha de trigo integral por metade de farinha branca em preparações assadas (pães, bolos, biscoitos, massa de pizza e tortas).

– Salpique quinoa, amaranto, chia e linhaça no molho de macarrão, sopas, carnes ensopadas, panquecas e em cereais cozidos.

– Adicione grãos integrais ou farelo como aveia e trigo em sorvetes, iogurte, mingaus, saladas, ensopados, sopas e outras preparações. Nozes, soja torrada, gergelim, linhaça, semente de girassol e outros também adicionam fibras e são decorativos.

– Coma lanches ricos em fibras, como pipoca, amendoins, nozes, amêndoas e barras de cereais integrais.

– Para sobremesas, use arroz doce integral, bolos e biscoitos de trigo integral.

Que dicas você daria para as pessoas terem uma dieta saudável e rica em fibras?

Para que uma dieta seja saudável é fundamental que supra todas as necessidades nutricionais, garantindo um bom desempenho diário, com quantidades adequadas de proteína, gordura, carboidratos, vitaminas, minerais e água e, de valor calórico adequado.

Uma mudança dos hábitos alimentares com o aumento do consumo de fibras já é um bom começo. Para acrescentar fibras na alimentação diária: ingira frutas com casca (bem lavadas), sucos integrais não coados, vegetais folhosos crus (bem lavados), aveia, grãos integrais, arroz integral, granola, biscoitos integrais, pães integrais, pão diet, leguminosas (feijão, lentilha, grão de bico), milho, ervilha, entre outros.

Evite alimentos altamente refinados, como o arroz branco, creme de trigo, farinhas, pão branco (de leite e francês, por exemplo), produtos de pastelaria, tortas, bolos, massas em geral.

Evite carnes gordas, frituras em geral, chocolates, salgadinhos, açúcar refinado, bebidas alcoólicas, bolachas, polenta, geleias e pizzas, principalmente, se o seu peso atual está acima do peso ideal.

Inicie as refeições sempre com saladas, mastigando bem e comendo calmamente.

Observação: Uma orientação dietética individualizada permitirá estabelecer um plano nutricional adequado. 

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