Fissura Anal

FISSURAA fissura anal é um pequeno corte (úlcera), como uma rachadura, na pele que recobre o ânus. Ela costuma ser uma lesão única que se localiza, preferencialmente, na linha posterior do ânus. Nas mulheres, por razões anatômicas, a localização na linha média anterior também é comum após o parto e mais frequente do que nos homens. A fissura anal é associada, quase sempre, a uma contração marcada do esfíncter anal interno. É uma das causas mais frequentes da dor anal.

A incidência de fissura anal é semelhante em homens e mulheres, podendo acontecer em qualquer idade.

A fissura anal pode ser aguda (quando aparece subitamente e tem duração de até seis semanas) ou crônica (quando tem mais tempo). A aguda geralmente cicatriza e em menos de 10% dos casos elas se tornam crônicas. Já a crônica é resistente ao tratamento com medidas higiênico-dietéticas.

A fissura anal pode ser também apenas um sintoma de outras doenças como Doença de Crohn, Sífilis anal, Leucemia e Câncer colorretal.

A fissura anal é consequência de um trauma local, que pode ser desencadeado por vários fatores:

  • Passagem de fezes grandes e endurecidas;
  • Dieta inapropriada;
  • Operação anal prévia;
  • Trabalho de parto;
  • Uso abusivo de laxantes.

Apesar das fissuras anais normalmente serem causadas por traumas no ânus, existem outras causas possíveis como carcinoma anal, ulceração sifilítica primária e ulcerações resultantes de doenças inflamatórias intestinais: doença de Crohn, lesão herpética, RCU (Retocolite ulcerativa) e tuberculose.

Os sintomas da fissura são muito parecidos aos de outras doenças anais como, por exemplo, a doença hemorroidária. Confira alguns sinais da ocorrência de fissura anal: 

  • Dor intensa durante ou após a evacuação ou a distensão do canal anal;
  • Sensação de ardor anal – como se estivesse latejando;
  • Sangramento anal durante a evacuação, de intensidade variável e cor avermelhada – que pode ser visível no vaso sanitário e/ou no papel higiênico ou depositado nas fezes;
  • Irritação perianal e prurido local, resultantes da eliminação de muco ou presença de secreção.

DOUTOR 2Para a identificação da fissura anal, assim como no caso de doença hemorroidária, é indispensável uma visita ao médico e o estudo do histórico clínico do paciente. O diagnóstico é feito por meio da inspeção anal para detectar a presença da fissura.

Na maioria das vezes a dor dificulta a realização do toque retal e a anuscopia. Mas esses procedimentos podem ser feitos para se obter um diagnóstico preciso.

Quando se suspeita de doença inflamatória intestinal, a colonoscopia pode ser necessária.

A fissura anal cicatriza em mais de 90% dos casos, com o tratamento clínico. Algumas medidas podem ajudar o tratamento:

POMADA

  • Adotar uma dieta rica em fibras (verduras, legumes, frutas e cereais);
  • Beber pelo menos dois litros de água por dia para que as fezes não fiquem duras e machuquem o canal anal;
  • Fazer banhos de assento com água morna;
  • Evitar o uso de papel higiênico, lavando a área com água e sabonete neutro ou íntimo após a evacuação;
  • Utilizar analgésicos e anti-inflamatórios via oral ou cremes e pomadas analgésicas e cicatrizantes na região anal para aliviar a dor, com prescrição médica.

Nos casos de fissuras anais crônicas, quando o paciente já tentou o tratamento clínico por seis semanas sem sucesso, o uso de pomadas com vasodilatadores e da toxina butolínica (Botox) pode ser indicado para ajudar a relaxar o esfincter anal, reduzindo o estiramento da fissura.

Outro procedimento utilizado pelos médicos parar tratar a fissura anal crônica é a cirurgia chamada de esfincterotomia lateral interna – uma pequena incisão capaz de relaxar o esfíncter anal.

A cirurgia é simples, porém delicada. A maioria dos pacientes volta para casa no mesmo dia, podendo retornar às atividades normais em uma semana. Em menos de 10% dos casos o problema não é resolvido.

Alguns pacientes que passam pela cirurgia desenvolvem incontinência anal, que pode incluir incapacidade de controlar a saída de gases intestinais, escape fecal leve ou mesmo perda de fezes sólidas. No entanto, essa incontinência pós-cirúrgica raramente é permanente.

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