Doença Hemorroidária

hemorroida 1

Todo mundo tem hemorroidas

Antes de entender a doença hemorroidária é preciso por fim a um mito. Ao contrário do que muita gente pensa, hemorroidas são estruturas naturais do organismo humano. São vasos sanguíneos localizados no interior do canal anal, que fazem parte do sistema circulatório de qualquer pessoa.

Logo, é incorreto dizer “estou com hemorroidas”. Na verdade, o desconforto na região anal é decorrente da doença hemorroidária.

A doença hemorroidária é resultado da dilatação excessiva das hemorroidas por diversos fatores como: predisposição genética, dificuldades para evacuar, hábitos alimentares, esforço físico excessivo e gravidez.

Um dos maiores promotores da doença hemorroidária é o chamado hiperfluxo: O sangue sai das artérias e vai para os vasos hemorroidários com mais velocidade do que o suportável pelas veias. O aumento da pressão sanguínea leva ao ingurgitamento, isto é a dilatação, dos vasos hemorroidários. Isso ocorre porque as hemorroidas não possuem válvulas, não têm barreiras que facilitem o retorno venoso, resultando acúmulo de sangue.

Passe o mouse sobre os pontos verdes e entenda a anatomia do canal retal:

 

Artéria Retal Superior
Artéria retal média
Plexo hemorroidário interno
Esfíncter externo
Artéria retal inferior
Esfíncter interno
Linha dentada
Plexo hemorroidário externo

A doença hemorroidária pode ser classificada de duas formas: quanto à localização (interna ou externa) e quanto ao grau, nesse caso apenas das hemorroidas internas.

As internas podem ser classificadas em quatro graus:

hemorroida aDoença hemorroidária interna de 1º grau

A doença hemorroidária, quando está no primeiro grau, apenas sangra. Há pouca coceira, mas já existe o sentimento de que algo está errado. Ao evacuar ou fazer esforço físico, as hemorroidas não se exteriorizam, ou seja, não há prolapso.

O tratamento é clínico, a base de pomadas, dieta balanceada, higiene local e hábitos de vida saudáveis. Importante: quando há muito sangramento ou sangramentos contínuos que provocam anemia, pode haver indicação cirúrgica – mesmo sendo o primeiro grau considerado simples.

hemorroida bDoença hemorroidária interna de 2º grau

Neste grau, ao evacuar ou fazer esforços físicos, as hemorroidas se exteriorizam e depois retornam espontaneamente para o canal anal.

O tratamento é clínico, mas dependendo da sensibilidade do paciente aos sintomas e sangramentos, o médico pode indicar ligadura elástica e cirurgia.

 

hemorroida cDoença hemorroidária interna de 3º grau:

As hemorroidas também saem pelo canal anal durante a evacuação, mas não voltam sozinhas:  precisam ser empurradas para dentro do ânus (manualmente).

O tratamento é feito com ligadura elástica e/ou cirurgia.

 

 

 


hemorroida eDoença hemorroidária interna de 4º grau:

É o nível mais grave da doença hemorroidária.  As hemorroidas ficam totalmente expostas, por isso é necessário intervenção cirúrgica.

As hemorroidas se manifestam em pessoas que têm ou não predisposição genética. Logo, vários fatores, além da hereditariedade, podem contribuir para o aparecimento de doença hemorroidária. Conheça:

Vida sedentária

A falta de atividade física diminui a irrigação sanguínea do corpo, inclusive do ânus. Além disso, também reduz o estímulo para a digestão dos alimentos, o que pode provocar problemas intestinais e dificultar a evacuação;

Dieta pobre em fibras

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a quantidade ideal de ingestão de fibras é de 30g diárias. Quem ingere menos do que o recomendado e bebe pouca água, tem mais chances de ter hemorroidas. As fibras fazem com que as fezes fiquem sólidas, mas suaves e macias, auxiliando no trânsito intestinal e no desejo evacuatório;

Woman with stomach issues

Obstipação

Vulgarmente conhecida como prisão de ventre, a obstipação provoca o ressecamento e endurecimento das fezes. Consequentemente o individuo precisa fazer mais força para evacuar, o que pode provocar a dilatação e até o rompimento dos vasos hemorroidários;

Gravidez

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Aproximadamente 15% das mulheres grávidas apresentam dilatação de uma ou mais veias hemorroidárias, principalmente nos últimos meses de gestação. Isso ocorre por causa do aumento do útero, que comprime os vasos da região. Importante: a despeito do que algumas pessoas pensam, o parto normal não provoca doença hemorroidária. O esforço físico realizado no parto pode ser um desencadeador do problema para quem já possui doença hemorroidária ou tem tendência a tê-la;

Obesidade

A obesidade está diretamente ligada aos hábitos alimentares das pessoas. Para ter uma vida saudável é fundamental consumir uma quantidade apropriada de calorias e ter uma alimentação equilibrada com proteína, gordura, carboidratos, vitaminas, fibras, minerais e água. A reeducação alimentar garante a qualidade de vida e previne o aparecimento de doenças.

O excesso de peso aumenta a pressão das veias retais, fazendo elas se dilatem, o que, consequentemente, aumenta as chances de doença hemorroidária.

Veja a importância de uma dieta equilibrada.

Alcoolismo

O álcool é muito nocivo e irrita o reto, ou seja, faz com que aja inflamação do canal anal. Em excesso a bebida pode, inclusive, provocar sangramentos.

O alcoolismo causa hipertensão portal (aumento da pressão do sangue nas veias que levam o sangue dos órgãos abdominais ao fígado) e dificuldade na circulação das veias.

Fumantes

O cigarro causa a lesão dos vasos sanguíneos. Por isso, os fumantes estão sujeitos a vários problemas relacionados à circulação.O risco de um fumante desenvolver doenças vasculares periféricas, como hemorroidas, por exemplo,  é 10 vezes maior do que uma pessoa que não fuma.

 

A doença hemorroidária é, na Proctologia, a patologia mais frequente no mundo ocidental. Ao menos alguns dos seus sintomas são diagnosticados em 50% da população acima dos 50 anos.

Conheça os sinais da doença hemorroidária:

  • Coceira. Por causa do inchaço das veias, ocorre o que os médicos chamam de prurido anal, uma coceira, que se persistir pode indicar doença hemorroidária;
  • Sangramento. Sangue vivo, intermitente e de pequena quantidade. Ao evacuar aparecem manchas de sangue perceptíveis na roupa íntima ou no papel higiênico;
  • Dor ou ardor durante ou após a evacuação;
  • Saliência palpável no ânus;
  • Secreção na região perianal;
  • Dermatites perianas;
  • Prolapso de lesão ao evacuar – a hemorroida se exterioriza e precisa de ajuda digital para voltar para o ânus;
  • Sensação de esvaziamento incompleto do reto após evacuação.

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As pessoas que apresentam coceira, sangramento anal e dor durante ou após a evacuação, além de outros sintomas da doença hemorroidária, devem procurar um médico.

O histórico clínico do paciente, em conjunto do exame físico e, principalmente, o proctológico, poderão confirmar a presença de hemorroidas externas e/ou internas e afastar hipóteses de doenças que podem causar os mesmos sintomas.

Os pacientes com idade acima de 40 anos que apresentam os sintomas típicos da doença hemorroidária devem fazer exames mais completos, indicados pelo médico, para afastar a possibilidade da presença de tumores colorretais benignos ou malignos, de doença inflamatória intestinal e de doença diverticular.

A doença hemorroidária requer cuidados clínicos e tratamentos farmacológicos, ambulatoriais ou cirúrgicos, dependendo do seu grau. O tratamento adequado é prescrito por um médico, após a avaliação individual de cada caso.

Os procedimentos clínicos incluem desde cuidados locais até  mudança de hábito, como uma dieta saudável, por exemplo. O paciente deve realizar a higiene local somente com água e sabão neutro ou íntimo, sem a utilização de papel higiênico, banhos de assento com água morna, fazer o uso de pomadas analgésicas e anestésicas e de medicamentos flebotônicos e hemorroidários (pomadas e supositórios). Em casos de muita dor, os analgésicos por via oral também podem ser utilizados.

Tratamento Ambulatorial

O tratamento ambulatorial consiste na resolução do quadro hemorroidário no consultório médico. Esse tipo de tratamento só é eficaz para alguns casos, mas tem a vantagem de não necessitar de internação hospitalar e a ausência do pós-operatório.

Existem vários tipos de tratamentos ambulatoriais para as hemorroidas internas. Conheça algum deles:

 

LIGADURA ELASTICALigadura elástica

A técnica consiste na aplicação de anéis elásticos na região dos mamilos hemorroidários (área menos sensível para dor), por meio do anuscópio – causando um estrangulamento da hemorroida, que necrosa o tecido e fixa os mamilos.

O procedimento é utilizado para o tratamento das hemorroidas internas sintomáticas – que apresentam sangramento anal, prolapso, dor e desconforto anorretal – de graus 1 e 2.

A recuperação pode ser imediata ou após um a dois dias de repouso domiciliar. Alguns pacientes podem apresentar: dor anal de curta duração (de 24 a 36 horas); sangramento anal (volume pequeno que ocorre junto às evacuações); infecção local, caracterizada por febre e dor anal intensa, latejante e contínua (acompanhada da dificuldade de urinar); e retorno dos sintomas das hemorroidas.

 

INJETADOEscleroterapia (Injeção de substância esclerosante)

Consiste na injeção de um líquido nos mamilos hemorroidários capaz de secá-los. Normalmente, a técnica é feita sem anestesia. Por isso, o paciente pode sentir um desconforto durante o procedimento.

A Escleroterapia é mais indicado em hemorroidas de graus 1 e 2 e os resultados podem ser sentidos em até dez dias.

Embora pareça simples, o procedimento não deve ser feito habitualmente e pode gerar alguns efeitos colaterais, como: reação alérgica ao produto químico, ardor, sangramento anal, infecções, entre outros.

 

 

LASERCoagulação infravermelha

Consiste em expor o tecido da hemorroida a uma descarga de Liz infravermelha (laser), diminuindo o fluxo sanguíneo na região. Sobre a área tratada forma-se uma cicatriz, o que evita o prolapso do tecido e diminui os sintomas da doença hemorroidária.

Para alcançar o resultado esperado, é necessário fazer de três a quatro aplicações ambulatoriais em cada grupo hemorroidal.

Essa técnica é indicada para o tratamento de pacientes com hemorroidas de graus 1 e 2. Contudo, ela não pode ser utilizada de forma generalizada, já que apresenta uma taxa alta de recorrência do problema.

 

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A doença hemorroidária atinge milhares de pessoas no mundo e a estimativa é de que 50% da população acima dos 50 anos já teve ou têm algum sintoma da doença. A faixa etária com maior incidência do problema está entre 45 e 65 anos.

 

GRAFICO 2A ocorrência da doença hemorroidária é maior em mulheres, principalmente, durante a gestação. Os vasos sanguíneos da região pélvica ficam mais dilatados e o peso da criança dificulta o retorno do sangue, aumentando a pressão e a chance do aparecimento de hemorroidas. Além disso, o problema pode aparecer por causa do esforço do parto. Porém, é importante lembrar que não são todas as mulheres que desenvolvem a doença hemorroidária durante a gestação.

Não existem dados precisos sobre a incidência no Brasil. Especialistas acreditam que 5 a 12% dos brasileiros sofrem com a doença. No entanto, a minoria procura auxílio médico.

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